Porque o dinheiro é (tão) importante?

A questão não é mudar o dinheiro de mãos mas fazê-lo perder importância.

Porque o dinheiro é tão importante para você? Ou melhor, isso acontece em sua vida? Tudo que é considerado sucesso é medido pela quantidade de dinheiro que te retorna?

Geralmente no momento de avaliar o sucesso ou fracasso de uma investida de sonhos, planejamentos e tempo a medição de sucesso ou fracasso tem ligação direta com a quantidade de dinheiro gerada.

Se o objetivo, se a ação lhe trouxe felicidade sem remuneração em dinheiro, a analise, costuma ser negativa. Mesmo se claramente lhe fez feliz.

O que tem que ser mudado não é a sociedade, assumindo essa como um ente sem domínio individual. Esta postura faz com que a responsabilidade seja externa a nos, gerando conforto; A mudança começa no nosso olhar em relação a importância que o dinheiro tem para cada um de nós, na totalidade da felicidade.

Essa postura irá criar novas métricas e gradativamente o vazio que lhe impede de celebrar sucesso nas realizações sem ou com pouco dinheiro, acontecerá.

Considerando então que o problema não é externo, é uma decisão individual, a visão positiva ou negativa se estabelecerá através dos hábitos. O problema é que mesmo sendo uma pessoa que se diz sustentável e “anticapitalista”, noto que o padrão de comportamento do sucesso está diretamente ligado ao lucro.

Se a ação plantar alface lhe agrada, porque não plantar alface para ser sustentável? O que te leva a querer acumular? Sabemos que a visão de acumulo automaticamente é capitalista e deixa de ser sustentável. Além de ferir diretamente o equilíbrio da distribuição.

Se você pudesse ter entre um pé de frutas saborosas ou um pé de dinheiro, qual plantaria?

Caso sua resposta seja que o pé de dinheiro seria a solução para comprar as frutas, mostra claramente onde está sua linha de importância. Isso não quer dizer que esteja errado, isso quer dizer que você é uma das pessoas que acredita nas verdades do sistema vigente, o capitalismo.

Não dá para mudar de uma hora pra outra, ou melhor, mudar de uma hora para outra seria assumir um posicionamento radical e abandonar “confortos” adquiridos, tais como uma água gelada, um ar condicionado. Não é sobre isso que estou falando. mas que tal experimentar analisar suas conquistas em outras dimensões? Analisar se a meta foi alcançada de maneira a considerar intangíveis e outros tipos de tangíveis.

Entender que pode estar reproduzindo comportamento pré adquirido mas querer criar ações diferentes. Como equalizar isso em sua vida?

Encontrei essa linha de raciocínio na metodologia de Lala Deheinzelin onde ela propõe na Fluxonomia 4D uma visão mais ampla, analisando recursos tangíveis e intangíveis, gerando possibilidade de ter métricas capazes de criar uma tendência em equilibrar as buscas humanas em quatro dimensões.

Outro movimento que considero ser importante na busca de novas referencias é o minimalismo. O conceito original é atribuído ao filósofo inglês Richard Wollheim (1923–2003). O termo “minimalismo” surgiu em seu ensaio de 1965 Minimal Art, referindo-se ao estilo de alguns artistas. A ideia de que menos é mais se espalhou para diversas áreas artísticas até chegar a ser considerado um novo estilo de vida. Buscando referencias encontrei o engenheiro mecânico Federico Sanz e achei sua história bem pautada em uma vontade genuína de encontrar outras razões para considerar-se bem sucedido que não seja através do acumulo de bens e dinheiro.

No preciso mucho, simplemente un lugar donde poder dormir y una mesa donde comer. Pero mis cosas… mis cosas necesitaban espacio, espacio por el cual tenía que pagar, espacio por el cual tenía que trabajar más tiempo para pagar. (Federico Sanz).

Texto autorizado pela fonte: www.selleste.com.br

Sandra Mara
Consultora, produtora cultural, atriz e empreendedora, vivo atualmente no Brasil. Busco agregar pessoas em relações mais justas e humanas.