Empoderando o Mundo. Como a abordagem sobre a sustentabilidade altera o engajamento do púbico.

Me responda com sinceridade você acredita que consegue mudar o mundo? Ou melhor você acredita que somos capazes ?

Pesquisas mostram que 84% da população tem fé em alguma religião, então por que não temos fé em nós?

Pelo menos quando se trata de sustentabilidade são poucos os que tem fé. As informações são abundantes, não há mais como negar que o mundo mudou, por exemplo, todos nós já sentimos na pele o efeito do aquecimento global. Se sua cidade não tem seca, tem inundação, e se não está calor, está muito frio. Estudos de Stanford falam que uma vez formada nossa impressão sobre algo dificilmente vamos mudar nossa percepção, ignorando até mesmo fatos óbvios.

A pergunta que fica é quem formou e quem ainda está formando nossa opinião?

Após anos assistindo programas de tv, documentários e tudo sobre meio ambiente cheguei a conclusão de maneira muito intuitiva, honestamente quase a ponto de ser rejeição total, que a apresentação dos dados da forma como fazemos hoje e o papel da mídia estilo sensacionalista apocalíptica nos influencia excessivamente e de forma negativa. Puxe rapidamente em sua memória a forma como as informações chegam a nós. Um típico programa sobre mudanças climáticas dos anos 1990/2000 se inicia com dados assustadores, fotos aterrorizantes, a materialização do caos total, no meio de tudo, dados e mais dados apontando que o mundo está indo de mal a pior e no final a conclusão de que temos que mudar imediatamente ou entraremos no armagedom. Fome, raiva, medo, enchente, seca, injustiça, sede, sexta extinção em massa…E ai vocês saem com aquele sentimento de que nada que façam vai adiantar, afinal somos convencidos a pensar que nós somos só um num mar de bilhões e bilhões de pessoas que não vão fazer nada para mudar a situação.

E é exatamente neste ponto que estamos sendo enganados. A verdade é que o sistema não tem interesse em ser mudando e por isso nem sequer sabemos que está sendo mudado. Mas escute os sinais da mudança, as antigas e raras aparições do tema sustentabilidade, hoje já não são tão raras. Algumas ainda abordadas de forma desajeitada, em um tom de Apocalipse Now, mas muitas já no tom em que amo e trabalho, que é a abordagem da mudança do empoderamento. Há muitas ações que efetivamente contribuem para a mudança do mundo, mas que infelizmente são desconhecidas pelo público geral.  Não vamos crucificar esses desbravadores que acreditavam que o medo era a melhor forma de passar a mensagem, talvez fora, porém estamos cansados disso. Os que se sensibilizam com a causa querem saber como colocar a mão na massa e contribuir com a mudança. Estes carecem de informação e uma comunidade de apoio e incentivo. Quanto aos descrentes se a abordagem do medo não deu certo até hoje, não será agora que vai dar…

Existem outros que chegaram a esta mesma conclusão e resolveram alterar um pouco desse cenário e iniciaram a criação de um ambiente esperançoso ao alcance de nossas mãos. Apresentando novas formas de trazer informações a sociedade. Dentro dessa nova lógica onde estimulamos indivíduos a atuar com a certeza de que suas ações fazem diferença encontramos muitas vertentes e abordagens. O que mais vejo dando resultado em minhas palestras, é ao iniciar a apresentação, demonstrar dados positivos que despertam a surpresa dos ouvintes, fomentando a expectativa destes quanto ao tema. Essa abordagem anima e levanta o espirito de quem está do outro lado, gerando resultados fantásticos em matéria de engajamento mesmo daqueles mais turrões e difíceis de dobrar. Gosto muito de falar da Dona Luzia senhora de 66 anos criada na roça com dificuldade de acreditar em mudanças climáticas que ao sair disse: “Não vou mais esperar vou para casa e fazer alguma coisa, agora sei que faz diferença. ”

As mudanças podem ser feitas de várias maneiras, porém este é o momento de empoderar, crescer, compartilhar. Faça a sua parte e mostre que gerar a mudança é legal!  E não se esqueça, pode até não parecer, mas JUNTOS SOMOS MUITOS!

Thalita Legora
Engenheira de Sustentabilidade
Green4All