Conheça a Economia do Bem Comum: a alternativa para o Capitalismo

 

Existe um sistema econômico alternativo para o capitalismo? Descubra a Economia do bem Comum, um novo movimento baseado em relações humanas

 

Você sabia que a riqueza acumulada pelo 1% mais abastado da população mundial agora equivale, pela primeira vez, à riqueza dos 99% restantes?

 

Essa é a conclusão de um estudo da ONG britânica Oxfam, baseado em dados do banco Credit Suisse relativos a outubro de 2015.

Outro dado é que o fato de as 62 pessoas mais ricas do mundo acumularem o equivalente à riqueza dos 50% mais pobres da população mundial revela uma concentração de riqueza “impressionante”, ainda mais levando em conta que, em 2010, o equivalente à riqueza da metade mais pobre da população global estava na mão de 388 indivíduos.

“Ao invés de uma economia que trabalha para a prosperidade de todos, para as geração futuras e pelo planeta, o que temos é uma economia (que trabalha) para o 1% (dos mais ricos)”, afirmou o relatório da Oxfam.

Neste artigo vamos falar sobre um novo sistema econômico onde o bem estar social está acima do benefício financeiro.

Primeiramente vamos entender o que é o Capitalismo:

É sistema político-econômico que teve início no final do século XVIII, impulsionado pela Revolução Industrial.

Está ligado à produção e consumo em massa e para a obtenção de matéria-prima é preciso retirar da natureza diversos recursos. A exploração constante e desenfreada tem deixado um saldo de devastação profunda no meio-ambiente.

A busca incessante por lucros faz com que haja uma grande exploração do trabalho por parte dos donos dos meios de produção, isso ocorre com mais intensidade por causa da falta de emprego, como existe uma grande oferta de trabalhadores os salários conseqüentemente são baixos, além da modernização da produção que retira um número muito elevado de postos de trabalho.

O maior objetivo do capitalismo é o consumo e para isso uma série de artifícios é usada para que as pessoas aumentem gradativamente o seu consumo, muitas vezes sem necessidade.

Isso é fruto dos anúncios publicitários que influenciam as pessoas e essas, até de forma inconsciente, ingressam nesse processo articulado pelo sistema.

Você tem alguma dúvida que o capitalismo como praticado hoje, é um sistema falido? Com esses dados alarmantes é inegável que está com sérios problemas estruturais fundamentais, a próxima questão é o que pode substituí-lo.

Pensando em todo esse modelo, o economista Christian Felber criou, em outubro de 2010, um modelo chamado Economia do Bem Comum.

Conheça a Economia do Bem Comum: a alternativa para o Capitalismo

Quem é Christian Felber?

Christian Felber nasceu em 1972 em Salzburgo. Ele não é apenas um ativista, mas um estudioso e um empresário. É professor na Universidade de Economia e Negócios de Viena e autor de vários best-sellers.

 

A Economia para o bem comum

O objetivo final da economia é servir o bem comum, declara Christian Felber. Mesmo uma economia com um PIB pequeno pode satisfazer as necessidades humanas. O termo “economia” vem do termo grego “oikonomia”, uma palavra composta pelos termos “oîkos” e “nómos”. Tem um sentido básico de administração doméstica. A economia é apenas uma ferramenta – mas tornou-se um fim em si mesmo.

O sistema capitalista, “cria uma série de sérios problemas: desemprego, desigualdade, pobreza, exclusão, fome, degradação ambiental e mudanças climáticas”. A solução seria um sistema econômico que “coloca os seres humanos e todas as entidades vivas no centro da atividade econômica”.

Olhando para constituições em todos os lugares, ele estudou e viu que há pontos em comum do que é uma vida boa e uma sociedade justa.

Felber co-fundou a Attac Austria, um grupo de 12 empresários austríacos que começaram a aplicar esses princípios constitucionais nos negócios, tentando criar um novo modelo que transcendesse a velha polaridade do comunismo e do capitalismo.

Foi assim que o movimento Economia do bem comum nasceu. Hoje, mais de 1750 empresas, principalmente da Alemanha, Áustria e Suíça, declararam seu apoio ao novo sistema.

 

Dez princípios de orientação para o bem comum

1. A economia para o bem comum se esforça para uma economia de mercado ética destinada a aumentar a qualidade de vida de todos e a não aumentar a riqueza de alguns.

2. Ajuda a promover os valores da dignidade humana, dos direitos humanos e da responsabilidade ecológica na prática comercial do dia-a-dia.

3. A Matrix indica até que ponto esses valores são colocados em prática em uma empresa e está sendo continuamente aprimorada em um processo aberto e democrático.

4. A Matrix fornece a base para que as empresas criem um balanço de boas condições. O Report descreve como uma empresa implementou esses valores universais e examina áreas que precisam ser melhoradas.

O relatório e o balanço são auditados externamente e depois publicados. Como resultado, a contribuição da empresa para o bem comum é disponibilizada ao público e a todas as partes interessadas.

5. As empresas Bem Comum se beneficiam no mercado através da escolha do consumidor, dos parceiros de cooperação e das instituições de crédito bem-orientadas.

6. Para compensar os custos mais altos resultantes de atividades éticas, sociais e ecológicas, as empresas Bem Comum devem se beneficiar de vantagens em impostos, empréstimos bancários, subsídios e contratos públicos.

7. Os lucros empresariais servem para fortalecer e estabilizar uma empresa e garantir a renda dos proprietários e funcionários no longo prazo. Os lucros não devem, no entanto, servir os interesses dos investidores externos.

Isso permite aos empreendedores mais flexibilidade para trabalhar para o bem comum e os liberta da pressão de maximizar o retorno do investimento.

8. Outro resultado é que as empresas não são mais obrigadas a expandir e crescer. Isso abre uma miríade de novas oportunidades para projetar negócios para melhorar a qualidade de vida e ajudar a proteger a natureza. A apreciação mútua, a justiça, a criatividade e a cooperação podem prosperar melhor em um ambiente de trabalho.

9. A redução da desigualdade de renda é obrigatória para assegurar a todos oportunidades econômicas e políticas iguais.

10. O movimento Economia do bem comum convida você a participar da recriação de uma economia baseada nesses valores. Todas as nossas idéias sobre a criação de uma ordem econômica ética e sustentável são desenvolvidas em um processo aberto e democrático, serão votadas pelo povo e serão consagradas em nossas constituições.

Clique e conheça o que é Consumo Colaborativo

Para aqueles que se recusam a ver a Economia do bem comum como um verdadeiro substituto do capitalismo e o rotulam como uma utopia, devemos lembrar que, desde o início da sua promulgação, há sete anos, um grupo de empresas em vários países tem adotado voluntariamente seus princípios  e hoje eles se tornaram um movimento político que procura mostrar aos governos que a implementação do sistema é possível.

O que você acha da economia do bem comum? Compartilhe sua opinião com a gente.