Consumo colaborativo: Relação entre confiança e cooperação

Neste estudo vamos entender melhor a relação entre confiança e cooperação no Consumo Colaborativo. E o porque isso é tão importante.

No Brasil, 68% das pessoas que participaram da pesquisa da Market, acreditam haver algum risco de serem enganados durante uma negociação.

As opiniões se dividem mais quando o consumidor é levado a refletir diretamente sobre o quanto confia em outros consumidores (52% afirmam não confiar), sobre dedicar – de fato- seu tempo para isso (47% declaram não ter tempo) ou sobre entender quais são os passos para se engajar na economia compartilhada (44% acredita que não saberia como).

De fato, hoje apenas 11% dos brasileiros acredita que pode confiar na maioria das pessoas no país, e tal cenário de desconfiança geral pode ser uma barreira importante para a popularização do consumo colaborativo.

 

Consumo colaborativo relação entre confiança e cooperação

A importância da confiança no Consumo Colaborativo

Como afirmamos repetidamente, “confiar” e “compartilhar a economia” andam de mãos dadas: a confiança é o mecanismo que permite que a economia compartilhada funcione, mas acima de tudo é o aspecto fundamental de uma sociedade baseada em valores autênticos.

Isso foi reiterado por Rachel Botsman, considerada a “guru” da economia compartilhada em um discurso recente:

“A tecnologia está criando novas pessoas, empresas e idéias. Ao mesmo tempo, a confiança nas instituições, bancos, governos e até igrejas está em colapso”.

Plataformas, como a Airbnb e a BlaBlaCar, podem ajudar as pessoas a superar a desconfiança, oferecendo perfis e avaliações sociais para aumentar a confiança na idéia, na plataforma que oferece o serviço e outras pessoas.

O que é confiança

O significado e os tipos de confiança variam em diferentes culturas e a partir de indefinições acerca do conceito de confiança, surge a necessidade da existência de duas condições.

Uma delas é o risco, ou seja, a incerteza com relação a se o outro pretende e irá agir apropriadamente. A outra condição é a interdependência, em que os interesses de um não podem ser alcançados sem a colaboração do outro (Rousseau, Sitkin, Burt & Camerer et al., 1998).

Para Botsman e Rogers (2011) o consumo colaborativo elimina a necessidade dos intermediários nas transações, permitindo que as trocas diretas entre pares possam ocorrer, sendo baseadas na confiança.

Quando a confiança é quebrada, o sentimento de frustração pode impedir a continuidade do relacionamento cooperativo.

Níveis de confiança

De acordo com o Botsman, existem 3 níveis diferentes de confiança:

1- A primeira coisa em que acreditamos é a idéia, então confiamos em uma plataforma e depois confiamos nos usuários da plataforma.

Isso acontece, por exemplo, quando fazemos uma viagem com o BlaBlaCar: nós gostamos da idéia de dar uma volta ou oferecer uma carona para um estranho, então escolhemos entre as plataformas que oferecem o serviço e depois escolhemos quem contratar.

2- O advento da web 2.0, com uma miríade de novos sites interativos e redes sociais, estimulou o espírito crítico das pessoas por todo o mundo.

Basta alguns cliques para compartilharmos aquilo que vemos nas nossas viagens, assim como aconselhar um amigo (ou até mesmo um desconhecido) que restaurantes freqüentar e em que hotel deve ficar hospedado.

3- Um exemplo é o TripAdvisor. Nesta plataforma, quem viaja é quem produz o conteúdo. Para quem? Para quem pretende viajar.

Vários estudos do mercado do turismo comprovaram que a maioria das pessoas decide onde ficar alojada numa viagem graças às opiniões que encontra no TripAdvisor.

 

Nas diversas formas de consumo colaborativo, a confiança é a base para a cooperação. Ela é o mecanismo que permite que as pessoas que praticam a economia colaborativa alcancem o resultado desejado.

consulab

Entusiasta e amante da economia colaborativa que acredita na transformação mundial através de uma nova cultura, onde possamos colaborar mais com os outros, e a formação dessa cultura é da economia colaborativa