Consumo colaborativo: O fim do consumismo?

Consumo colaborativo: O fim do consumismo?

Seria o consumo colaborativo o fim do consumismo? A noção de que agora podemos compartilhar ou trocar qualquer coisa é uma idéia interessante. Mas é realmente a resposta para o consumismo desenfreado?

 

Em novembro de 2008, um segurança de 34 anos foi pisoteado até a morte em uma loja WalMart em Nova York.

Pelo que jornais descreveram, as pessoas estavam “fora de controle”. Mais de 2.000 pessoas tinham enfrentado a fila, na promessa de compras com excelentes descontos.

Com a multidão gritando do lado de fora, “empurre as portas para dentro”, os funcionários tentaram escapar da debandada resultante.

Mesmo quando a polícia mais tarde declarou que a loja estava fechada porque agora era uma cena de crime, compradores furiosos protestavam com policiais. Um gritou: “Estou na fila desde ontem de manhã”.

Consumo colaborativo: O que é meu é seu

Rachel Botsman reconta esse evento em seu livro, “O Que É Meu É Seu – Como o Consumo Colaborativo Vai Mudar o Nosso Mundo”.

É uma metáfora triste e arrepiante para a nossa cultura em geral – uma multidão de consumidores derrubando as portas e arrasando as pessoas simplesmente para comprar mais coisas.

O que é o Consumismo?

Primeiramente é necessário fazer uma distinção entre consumo e consumismo.

O que é o Consumo? Está relacionado a uma necessidade inerente do ser humano enquanto ser social. Isto é: consumimos, inclusive, por sobrevivência.

O consumismo, por sua vez, é caracterizado por uma compra em excesso e, muitas vezes, de produtos ou de serviços que não são necessários.

O conceito também está relacionado com maneiras inconscientes e alienadas de comprar, sem avaliar o impacto social e ambiental.

 

Consumindo de maneira mais inteligente

Botsman conta no livro sobre os excessos, a futilidade e as contradições do consumo de massa, mas ela não prega contra o consumismo.

Em vez disso, o livro dela é um grito para consumirmos de forma “mais inteligente”, afastando-nos do conceito ultrapassado de propriedade e mostrando um conceito em que compartilhamos, permutamos, alugamos e trocamos bens, serviços, tempo e espaço.

O consumo colaborativo

A noção de consumo colaborativo não é nova – existe há séculos. Mas a chegada da internet e das redes sociais intensificou esse conceito, que já estava ganhando evidencia devido às crises ambientais e econômicas.

O consumo colaborativo permite às pessoas o acesso aos produtos e serviços por um período temporário, mas que é suficiente para suprir as suas necessidades, sem gerar uma capacidade ociosa do mesmo.

 

Consumo colaborativo e a sua relação com a confiança

Se a internet e as redes sociais agem como lubrificantes para o consumo colaborativo, então a confiança é a cola que as une.

Nada disso funcionaria se não tivéssemos fé de que a pessoa anônima do outro lado da transação faria o que prometem; ou seja, pagar por seus bens ou serviços, ou entregar o que eles anunciaram. “Coisas realmente interessantes estão acontecendo com confiança no momento”, diz Botsman.  Círculos de confiança estão sendo construídos on-line.

Uma das idéias mais radicais de Botsman é que a ascensão do consumo colaborativo nos próximos anos verá o advento dos “bancos de reputação”. Em seu livro, ela escreve: “Agora, com a web, deixamos uma trilha de reputação”. Podemos avaliar e ser avaliados.

 

As diversas formas de consumo demonstram o movimento das pessoas em direção de atividades mais coletivas. abrindo mão da propriedade privada, do individualismo ou do reconhecimento para trabalhar em conjunto, compartilhando experiências, resultados, tempo, dentre outros. Isso demonstra um sentimento de cooperação e a ação coletiva desses consumidores em busca de arranjos não tradicionais.